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Idanha-a-Velha - Aldeia Histórica de Portugal

Aldeias Históricas de Portugal

A aldeia de Idanha-a-Velha faz parte do conjunto das doze Aldeias Históricas de Portugal, plantada num amplo e fértil vale, entre duas pequenas elevações e à beira do rio Pônsul. Estas são a características que demarcam o lugar e que no passado atraiu os vários povos que habitaram a Península Ibérica. 




Muitos foram os povos que aqui deixaram a sua marca. Os romanos foram os primeiros a fundar neste local uma civitas, a Egitânia, no século I durante o período de Augusto. Os Suevos conseguiram tomar-lhes a cidade  e foram eles que cristianizaram a Egitânia. Depois dos Suevos chegaram os Visigodos que proporcionaram um novo ciclo económico, político e administrativo. Transformaram a basílica paleocristã na emblemática Sé catedral, construíram um paço episcopal e cunharam uma moeda própria, os "trientes" em ouro, como símbolo de exteriorização de riqueza e prosperidade. Assim se manteve até acontecer a inevitável invasão dos árabes. O povo islâmico aproveitou a organização romana e eclesiástica, sendo que na Sé Catedral foi adaptada a Mesquita e a muralha romana foi reajustada para se defenderem dos cristãos. Acontece que os cristãos não deram tréguas aos árabes, até que estes conseguem tomar a cidade definitivamente. Já sob o domínio de reis ibéricos a cidade passou de mão em mão até que D. Afonso Henriques a conquista e a entrega à proteção do Mestre Templário Gualdim Pais. Gualdim Pais ficou com a árdua tarefa de a defender , repovoa-la e erguer dois novos castelos na região, o de Monsanto e outro noutro local onde se viria a chamar Idanha-a-Nova. 


Depois dos Templário chegou a vez dos "Senhores das Terras". As terras de Idanha são as ideais para a exploração agrícola. A família Marrocos, que no século XIX era a mais poderosa da região, torna-se o senhor de Idanha. 


Por onde começar...

Aconselhamos que estacionem o vosso carro logo à entrada da aldeia, fora das muralhas, no Largo do Espírito Santo, junto à capela com o mesmo nome. Devem começar por subir a muralha e a partir daí explorem a aldeia e saboreiem cada minuto da vossa caminhada. 


O que não devem perder no centro histórico de  Idanha-a-Velha!
A aldeia de Idanha-a-Velha foi classificada como Aldeia Histórica em 1994. Considerada a Joia Perdida da Beira Baixa, visitá-la é redescobrir e reviver a história das gentes e da região.


1. Muralha Romano-Medieval (Séc. III-IV)







2. Capela de S. Dâmaso


Fachada com pedra epigrafada com o nome da familia Azevedo
2. Ponte Romana

A ponte romana é das construções mais antigas da cidade e assumia um papel muito importante na época. Esta ponte fazia a ligação entre importantes viárias da época romana, nomeadamente entre Mérida-Braga e Cáceres-Viseu. Atualmente permite o acesso aos terrenos agrícolas e acesso a outras rotas.



3. Azinheira Grande
As azinheiras são, ainda hoje, uma importante fonte económica na região. A sua madeira é utilizada como lenha e carvão na produção de combustíveis domésticos. Esta Azinheira é das árvores mais raras de porte gigantesco e agarrado ao forte núcleo argamassado da muralha. Existe mais um ou outro exemplar e a tradição relaciona-as com lendas de reis visigodos.


4. Pedras Poldras

A travessia das linhas de água, na ausência de pontes, eram feitas utilizando as Pedras Poldras. Estas pedras eram colocadas na vertical no leito do rio, permitindo vencer a água e a corrente passando de bloco em bloco até à margem contrária. É considerado um sistema arcaico, perigoso e de uso limitado. Desta vez o rio não tinha água, sendo que esta pedras não estariam a cumprir a sua verdadeira função. 



5. Porta do Sol ou Porta do Rio Pônsul



6. Sé  Catedral
A Igreja Velha ou a Antiga Igreja Matriz de Santa Maria atualmente é um local de eventos culturais. Foi a primeira construção religiosa cristã a ser edificada em Idanha. O edifício como o conhecemos não conserva a sua arquitetura original, sendo que ao longo dos séculos foi sofrendo alterações consoante o povo que administrava a cidade. Provavelmente foram os suevos que construiram inicialmente aqui a sua basílica, sendo que mais tarde o árabes adaptaram o edifício para construirem a sua mesquita. No século XIII, após a reconquista cristã, o edifício foi novamente intervencionado e dedicado o culto a Santa Maria. 




Ao lado da Sé Catedral existe um enorme espólio de artefactos, que foram sendo encontrados na região, bem como ruínas de antigas construções adjacentes à igreja. Junto à muralha, do lado do recinto do lagar, ainda se conserva uma antiga casa romana, que teria pertencido a uma família romana abastada. 





7. Lagar das Varas



8. Palacete Família Marrocos

A família Marrocos eram a família mais nobre e economicamente poderosa da região da Beira Baixa e detinham grande parte das terras de cultivo, casas, lagares e outros bens. Este palacete datado do século XX, seria a residência da família. Atualmente encontra-se fechado, quem sabe de futuro não seja erguido ali um novo edifício. 


9. Antiga Igreja da Misericórdia (Séc. XVII)


10. Casa dos Templários e Pelourinho

É a casa dos templários porque a sua fachada ostenta a marca da cruz templária. O Pelourinho foi ali erguido pelo rei D. Manuel com objetivo de devolver à cidade a sua antiga glória. Os pelourinhos eram sinal de glória e importância para as cidades ou vilas.



11. Castelo dos Templários

Sabe-se que neste local existiu um fórum romano e um templo dedicado à deusa Vénus ou a Júpiter, generosamente oferecido à Egitânia pela família de Caius Cancius Modestinus. Supõe-se que essas construções tenham sido devastadas pelos povos posteriores, sendo que as antigas fundações do podium forma reaproveitadas pelos Templários na construção da Torre de Menagem. 


A tradição conta que naquele lugar terá existido um palácio do rei Wamba, monarca visigodo, levantado sob as antigas ruínas de uma casa romana. 



Idanha-a-Velha é, e sempre foi, um local de caminhos e rotas. Além da GR 22 - Grande Rota das Aldeias Históricas existe também um Caminho de Santiago de Compostela, parcialmente sinalizado, que liga Cárceres a Viseu, tal como no passado.



Só por curiosidade...
O Adufe é o símbolo cultural de toda a zona de Idanha-a-Nova e parte da Beira Interior. Este instrumento musical é de origem árabe e foi a herança moçárabe mais bem preservada que temos em Portugal. O Adufe é quadrangular, feito de madeira leve e de pele de ovelha. Ainda hoje, é exclusivamente tocado por mulheres pelas terras idanhenses em festas e romarias. 


Pontos de Interesse na zona de Idanha-a-Velha:

Aldeia de São Miguel de Acha

São Miguel de Acha é uma pequena aldeia, a poucos quilómetros de Idanha-a-Velha, que apesar de ser pouco falada tem um encanto especial. Para nós esta aldeia foi o local reservámos o nosso alojamento durante viagem pelas Aldeias Históricas. Escolhemos a Casa d'Acha como alojamento. É uma casa tipicamente beirã e muito acolhedora. Poderá ser uma alternativa mais económica para quando viajarem para esta zona do país.



Penamacor

Penamacor é uma simpática vila da Beira Baixa e muito perto de Idanha-a-Velha e de Monsanto. No alto de um cabeço rochoso ergue-se um castelo templário, também referido como Fortaleza de Penamacor. 



Em Penamacor devem visitar a Igreja Matriz e o burgo medieval, onde ser ergue a Torre de Menagem. 







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